Reflexões
sobre o Sistema Nacional de Educação (SNE)
(“O SUS da Educação”)
O Sistema
Nacional de Educação (SNE), popularmente conhecido como o “SUS da Educação”,
vem sendo aguardado há décadas como a grande promessa de integração e
fortalecimento das políticas educacionais em todo o país. No entanto, como em
toda mudança estrutural, surgem vantagens e desvantagens que merecem análise
criteriosa.
Vantagens
potenciais
O SNE tem
como objetivo principal organizar, integrar e coordenar as ações entre a União,
os estados e os municípios, garantindo maior equidade e eficiência na oferta de
ensino público. Entre os aspectos positivos esperados estão:
- Maior padronização das políticas
educacionais em nível nacional;
- Fortalecimento da gestão integrada entre
as esferas de governo;
- Planejamento de longo prazo, com metas e
indicadores comuns;
- Possibilidade de redução das
desigualdades regionais na educação;
- Criação de uma rede de cooperação
federativa, semelhante ao modelo do SUS, buscando universalizar o acesso à
educação de qualidade.
Desvantagens
e retrocessos
Entretanto,
o SNE também carrega incógnitas e contradições - “dois pesos e duas medidas” -
que levantam preocupações legítimas. Após mais de décadas de espera, o sistema
finalmente começa a sair do papel, por quais motivos e intençoes,
desconhecidos, todavia com cortes e supressões que enfraquecem sua essência.
Entre os
pontos críticos observados estão:
- A retirada da obrigatoriedade de ingresso
por concurso público para os profissionais da educação - medida que contraria
o inciso II do Art. 37 da Constituição Federal de 1988, ferindo o
princípio da impessoalidade e da meritocracia (https://www.youtube.com/watch?v=YaeW1wQd18E&t=24s);
- A exclusão da busca ativa para garantir o
acesso à educação básica, à creche para crianças de 0 a 3 anos e à
educação de jovens e adultos, o que pode comprometer o direito universal à
educação; https://micasisegeneral.blogspot.com/2025/10/o-sne-avanco-esperado-retrocesso.html
- A ausência de dispositivos que tratem da valorização
real do magistério, elemento central de qualquer sistema que pretenda ser
justo e eficaz.
Tais
alterações fazem o SNE nascer com desequilíbrios estruturais, limitando seu
alcance social e tornando-se, em parte, um “cabo de guerra político” que pode
beneficiar apenas os mais fortes institucionalmente.
O ponto
negligenciado: a valorização docente
Um aspecto
essencial que ficou de fora do texto do SNE é a isenção do Imposto de Renda
Pessoa Física (IRPF) para os docentes. Tal medida representaria reconhecimento
concreto ao profissional que é o eixo central da educação nacional. https://micasisegeneral.blogspot.com/2025/10/a-nexo-proposta-de-projeto-de-lei.html
Afinal, sem
professores:
- Não há alunos;
- Não há escolas;
- Não há profissionais em nenhuma área do
saber;
- E, consequentemente, não há fundamento
que sustente o próprio sistema educacional.
A educação
é composta de professores, alunos, escolas e orçamentos robustos. Sem valorização
real, tanto salarial quanto simbólica, e sem políticas fiscais que reconheçam o
papel essencial dos educadores, jamais haverá educação digna e de qualidade no
Brasil.
Em suma, o
SNE surge como um marco necessário, mas incompleto e desigual na largada - uma
corrida pela valorização da educação que, mais uma vez, começa com os
professores em desvantagem.
O professor
é um formador de opinião e tem autonomia didática e, portanto, não é obrigado a
realizar SD taxativamente... https://micasisegeneral.blogspot.com/2025/10/a-autonomia-docente-como-fundamento-da.html
Belém-PA, 09 de outubro de 2025
MICASISE
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