O SNE: Avanço esperado,
retrocesso anunciado
Por MICASISE – 09/10/2025
Após mais de meio século de
espera, o Sistema Nacional de Educação (SNE) - conhecido como o “SUS da
Educação” - começa enfim a sair do papel. Idealizado para integrar políticas
entre União, estados e municípios, o SNE promete coordenar esforços, reduzir
desigualdades e assegurar o direito universal à educação de qualidade. No
entanto, a forma como chega ao cenário político já levanta dúvidas e frustra
expectativas históricas.
O que deveria ser um marco de
valorização profissional e gestão democrática nasce com lacunas graves. O texto
final do SNE retirou a exigência de ingresso por concurso público para
profissionais da educação, contrariando o art. 37, inciso II da Constituição
Federal, que garante igualdade de oportunidades e impessoalidade no serviço
público. Também foi suprimida a busca ativa para garantir o acesso de crianças
de 0 a 3 anos à creche e o retorno de jovens e adultos à escola - medidas
fundamentais para a inclusão educacional. https://www.camara.leg.br/noticias/1196301-camara-aprova-projeto-que-cria-o-sistema-nacional-de-educacao/#:~:text=A%20C%C3%A2mara%20dos%20Deputados%20aprovou,de%20pol%C3%ADticas%20e%20programas%20educacionais.
Esses recuos fazem o SNE iniciar
sua trajetória de forma contraditória: pretende fortalecer o sistema, mas
começa enfraquecendo seus pilares. É como um “cabo de guerra” entre avanços
institucionais e interesses políticos, em que os mais fortes tendem a vencer -
e a educação pública, mais uma vez, a perder.
Outro ponto esquecido é a valorização
real do magistério. Nenhuma menção foi feita à isenção do Imposto de Renda para
docentes - uma medida justa que reconheceria o papel essencial dos professores,
base de toda a estrutura educacional. Afinal, sem professores, não há alunos,
escolas ou sequer profissionais nas demais áreas.
O SNE representa, sem dúvida, um
avanço institucional, mas chega incompleto e desigual na largada. Sem garantir
autonomia, valorização e respeito aos profissionais que sustentam o ensino, o
sistema corre o risco de tornar-se apenas mais uma promessa grandiosa sem
lastro na realidade.
A educação brasileira precisa de
mais do que estruturas administrativas - precisa de justiça, compromisso e
valorização humana. Só assim o SNE poderá, de fato, cumprir o que promete.
Implementar o SNE é preciso, mas
valorizar os profissionais da educação, muito mais ainda (MICASISE).
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Cordialmente,
MICASISE - (SERRÃO, M. C. S.)