A História da Grande
Torre - Augusto Cury
“Se metade do orçamento dos gastos militares do mundo fosse investido na
educação, os generais se tornariam jardineiros; os policiais, poetas; os psiquiatras, músicos. A violência, a fome, o
medo, o terrorismo e os problemas emocionais estariam nas páginas dos
dicionários e não nas páginas da vida...”
(Augusto Cury)
Figura: MICASISE, 2026 – Educar é preciso: valorizar o
Professor, muito mais ainda.
Augusto Cury para
concluir seu livro “Pais Brilhantes, Professores Fascinantes - Como formar
jovens felizes e inteligentes, conta a História da
Grande Torre na qual o autor revela a perigosa direção para onde a sociedade está caminhando,
a crise da educação e a importância do país e dos
professores pensantes, que de forma equilibrada criam soluções a curto, médio e
longo prazos não apenas nas escolas, mas na própria vida como construtores de
um mundo melhor.
Apesar de Cury
admitir que o valor da educação mostrado pela História da grande
Torre ainda é um sonho, se todos sonharmos este sonho, um dia ele deixará
de ser apenas um sonho.
Cury tem contado
essa história em muitas conferências, inclusive em congressos internacionais,
sensibilizando a todos os participantes. Como estamos no mês de outubro,
mês em que se comemora no dia 15, o Dia do Professor, com este texto, estamos homenageando a todos os educadores que lutam pela melhoria da
educação, com objetivo de formar crianças e adolescentes integrados ou
sociáveis, felizes, livres e empreendedores.
“Num tempo não muito
distante do nosso, a humanidade tornou-se tão caótica que os homens fizeram um
grande concurso. Eles queriam saber qual a profissão mais importante da
sociedade. Os organizadores do evento construíram uma grande torre dentro de um
enorme estádio, com degraus cravejados de pedras preciosas. A torre era
belíssima. Chamaram a imprensa mundial, a televisão, os jornais, as revistas e as rádios para realizarem a cobertura do acontecimento.
O mundo estava de
olhos postos no evento. No estádio, pessoas de todas as classes sociais
comprimiam-se para ver a disputa de perto. As regras eram as seguintes: cada
profissão era representada por um ilustre orador e este deveria (...) fazer um
discurso eloquente e convincente sobre os motivos pelos quais a sua profissão
era a mais importante na sociedade moderna. A votação era mundial e pela
internet.
Nações e grandes
empresas patrocinavam a disputa. A categoria vencedora receberia prestígio
social, uma grande soma em dinheiro e subsídios do governo. (...) O mediador do discurso Bradou: “O espaço está
aberto!”
Sabem quem subiu
primeiro à torre? Os educadores? Não! O representante da minha classe, a dos
psiquiatras. Ele subiu à torre e a plenos pulmões proclamou: “As sociedades modernas tornar-se-ão uma fábrica de estresse. A depressão
e a ansiedade são as doenças do século. As pessoas perderam o encanto pela
existência. Muitas desistem de viver. A indústria dos antidepressivos e dos
tranquilizantes tornou-se a mais importante do mundo” (...)
O representante dos
psiquiatras concluiu: “O normal é ter conflitos e o anormal é
ser saudável. O que seria da humanidade sem os psiquiatras? (...)
No estádio reinou o
silêncio. Muitos da plateia olharam para si mesmos e perceberam que não eram
alegres, estavam “estressados”, dormiam mal, acordavam cansados, tinham uma
mente agitada, dores de cabeça. (...)
Em seguida, o
mediador bradou: “O espaço está aberto!”. Sabem quem subiu depois? Os
professores? Não! O representante dos magistrados – os juízes de Direito.
Ele subiu (...) e
desferiu palavras que abalaram os ouvintes: “Observem os índices de violência! (...) Os raptos, os assaltos e a violência no trânsito enchem as páginas dos
jornais. A agressividade nas escolas, os maus tratos infantis, a discriminação racial
e social faz parte da nossa rotina. Os ouvintes menearam a
cabeça, concordando com os argumentos. Em seguida, o representante dos
magistrados foi mais contundente: O tráfico de drogas movimenta
tanto dinheiro como o petróleo.
Não há como extirpar
o crime organizado.
(...) Sem os juízes e os promotores, a sociedade esfalece-se. Por isso, declaro que, com o
apoio dos promotores e do aparelho policial, representamos a classe mais
importante da sociedade.”
Todos engoliram em
seco estas palavras. Elas perturbavam os ouvidos e queimavam a alma (...) Em
seguida, o mediador, já a suar de frio, disse: “O espaço está
novamente aberto!”
Um outro
representante mais intrépido subiu a um degrau mais alto da torre. Sabem quem
foi desta vez? Os educadores? Não! Foi o representante das forças armadas.
Com uma voz vibrante
e sem delongas, ele discursou: “Os homens desprezam o valor da vida. Eles
matam-se por muito pouco. O terrorismo elimina milhares de pessoas. A guerra
comercial mata milhões de fome. (...) As nações só se
respeitam pela economia e pelas armas que possuem. Quem quiser a paz tem de se
preparar para a guerra. Os poderes econômico e bélico, e não o diálogo, são os
fatores de equilíbrio num mundo espúrio.”
As suas palavras
chocaram os ouvintes, mas eram inquestionáveis. Em seguida, ele concluiu: “Sem as forças armadas, não haveria segurança. (...) Os homens
das forças armadas não são apenas a classe profissional mais importante, mas
também a mais poderosa.” A alma dos ouvintes gelou. (...)
Os argumentos dos
três oradores eram fortíssimos. A sociedade tinha-se tornado um caos. (...).
Ninguém mais ousou subir à torre. Em quem votariam?
Quando todos
pensavam que a disputa estava encerrada, ouviu-se uma conversa na base da
torre. De quem se tratava? Desta vez eram os professores. Havia um grupo deles
da pré-primária, do ensino básico, do secundário e do universitário (...) e
dialogavam com um grupo de pais. (...)As câmeras de televisão
focaram-nos e projetaram a sua imagem numa grande tela. O mediador gritou para
que um deles subissem à torre. Eles recusaram-se.
O mediador
provocou-os: “Há sempre covardes numa disputa.” Houve risos no estádio. Fizeram troça
dos professores e dos pais. Quando todos pensavam que eles eram frágeis, os
professores, com o incentivo dos pais, começaram a debater as ideias
apresentadas, permanecendo no mesmo lugar. (...)
Um dos professores,
olhando para o alto, disse ao representante dos psiquiatras: “Nós não queremos ser mais importantes do que vocês. Apenas queremos
ter condições para educar a emoção dos nossos alunos, formar jovens livres e
felizes, para que não adoeçam e sejam tratados por vocês.”
O representante dos
psiquiatras recebeu um golpe na alma. Em seguida, um outro professor (...)
olhou o representante dos magistrados e disse: “Nunca tivemos a
pretensão de ser mais importantes do que os juízes. Desejamos apenas ter
condições para lapidar a inteligência dos nossos jovens, fazendo-os amar a arte
de pensar e aprender a grandeza dos direitos e dos deveres humanos. Assim,
esperamos que nunca se sentem no banco dos réus.” O representante dos
magistrados tremeu na torre.
Uma professora, ao
lado esquerdo da torre, aparentemente tímida, encarou o representante das
forças armadas e falou poeticamente: “Os professores de todo
o mundo nunca desejaram ser mais importantes do que os membros das forças
armadas. Desejamos apenas ser importantes no coração das nossas crianças.
Almejamos levá-las a compreender que cada ser humano não é apenas um número na
multidão, mas um ser insubstituível, um actor único no teatro da
existência.” A professora fez uma pausa e completou:
“Assim, eles
apaixonar-se-ão pela vida e, quando detiverem o controlo da sociedade, nunca
farão guerras, sejam guerras físicas que tiram o sangue, sejam comerciais que
tiram o pão. Pois cremos que os fracos usam a força, mas os fortes o diálogo
para resolver os seus conflitos. Cremos ainda que a vida é a obra-prima de
Deus, um espetáculo que nunca deve ser interrompido pela violência humana.”
Os pais deliraram de
alegria com estas palavras. Mas o representante do sistema judicial quase caiu
da torre. Não se ouvia um zumbido na plateia. O mundo ficou perplexo. As
pessoas não imaginavam que os simples professores, que viviam no pequeno mundo
das salas de aula, fossem tão sábios.
O discurso dos
professores abalou os líderes do evento. Vendo ameaçado o êxito da disputa, o
mediador do evento disse arrogantemente: “Sonhadores! Vocês vivem fora
da realidade!” Um professor destemido bradou com sensibilidade: “Se deixarmos de sonhar, morreremos!”
Sentindo-se
questionado, o organizador do evento pegou no microfone e foi mais longe na sua
intenção de ferir os professores: “Quem se importa com os professores
atualmente? Comparem-se com as outras profissões. Vocês não participam das
reuniões políticas mais importantes. A imprensa raramente os noticia. A
sociedade pouco se importa com a escola. Olhem para o salário que vocês recebem
no final do mês!” Uma professora fitou-o e disse com segurança: “Não trabalhamos apenas pelo salário, mas pelo amor dos seus filhos e de
todos os jovens deste mundo.
Irado, o líder do
evento gritou: “A sua profissão será extinta nas
sociedades modernas. Os computadores estão a substituí-los! Vocês não são
dignos de estar nesta disputa!”
A plateia,
manipulada, mudou de lado. Condenaram os professores. Exaltaram a educação
virtual. Gritaram em coro: “Computadores! Computadores! Fim dos professores” O
estádio entrou em delírio repetindo esta frase. Sepultaram os mestres. Os
professores nunca tinham sido tão humilhados. Golpeados por estas palavras,
resolveram abandonar a torre. Sabem o que aconteceu?
A sociedade desabou. As injustiças e as misérias da alma aumentaram mais ainda.
A dor e as lágrimas expandiram-se. A prisão da depressão, do medo e
da ansiedade atingiu grande parte da população. A violência e os crimes
multiplicaram-se.
(...)
Estarrecidos, todos
compreenderam que os computadores não conseguiam ensinar a sabedoria, a
solidariedade e o amor pela vida. O público nunca pensara que os professores
fossem os alicerces das profissões e o sustentáculo do que é mais lúcido e
inteligente em nós.
Descobriu-se que o
pouco de luz que entrava na sociedade vinha do coração dos professores e dos
pais que arduamente educavam os seus filhos. (...)
Perceberam que a
esperança de um belo amanhecer repousa em cada pai, cada mãe e cada professor e
não sobre os psiquiatras, os juízes, os militares, a imprensa... (...) _ eles
são a esperança do mundo.
Perante isto, os
políticos, os representantes das classes profissionais e os empresários fizeram
uma reunião com os professores em cada cidade de cada
nação. Reconheceram que tinham cometido um crime contra a educação.
Pediram desculpas e rogaram que eles não abandonassem os seus filhos.
Em seguida, fizeram
uma grande promessa. Afirmaram que metade do orçamento que gastavam com armas,
com o aparato policial e com a indústria dos tranquilizantes e dos
antidepressivos seria investida na educação. Prometeram resgatar a dignidade
dos professores, e dar condições para que cada criança da Terra fosse nutrida
com alimentos no seu corpo e com o conhecimento na sua alma. (...)
Os professores choraram. (...) Há séculos que eles esperavam que a sociedade acordasse para o drama na
educação. Infelizmente, a sociedade só acordou quando as misérias sociais
atingiram patamares insuportáveis.
Mas, como sempre
trabalharam como heróis anônimos e sempre amaram cada criança, cada adolescente
e cada jovem, os professores resolveram voltar para a sala de aula e ensinar
cada aluno a navegar nas águas da emoção.
Pela primeira vez, a
sociedade colocou a educação no centro das suas atenções. (...) Os jovens já não desistiam da vida. Já não havia suicídios. O uso
das drogas dissipou-se. Quase já não se ouvia falar de transtornos psíquicos e
de violência. E a discriminação? O que era isso? Já ninguém se lembrava do seu
significado(...) O medo dissolveu-se, o terrorismo desapareceu, o amor
triunfou.
As prisões
tornaram-se museus. Os polícias tornaram-se poetas. Os consultórios de
psiquiatria esvaziaram-se. Os psiquiatras tornaram-se escritores. Os juízes
tornaram-se músicos. Os promotores tornaram-se filósofos. E os generais?
Descobriram o perfume das flores, aprenderam a sujar as suas mãos para as
cultivar.
E os jornais e as
televisões do mundo? O que noticiavam, o que vendiam? Deixaram de vender
mazelas e lágrimas humanas. Vendiam sonhos, anunciavam a esperança...
Quando se tornará
esta história realidade? Se todos sonharmos este sonho, um dia ele deixará de
ser apenas um sonho.
A História da Grande
Torre - Augusto Cury
Texto do livro “Pais
Brilhantes, Professores Fascinantes - Como formar jovens felizes e
inteligentes”
A seguir:
MANIFESTO DE VALORIZAÇÃO DOCENTE: O COLAPSO DA GRANDE TORRE https://micasisegeneral.blogspot.com/2026/01/manifesto-de-valorizacao-docente-o.html
Por: SERRÃO, M. C. S. S. ou MICASISE
Belém/PA, 06 de janeiro de 2026