9 de outubro de 2025

 

A autonomia docente como fundamento da prática pedagógica

O professor é, antes de tudo, um formador de opinião, um mediador do conhecimento e um pesquisador de sua própria prática. Detém autonomia didática e intelectual, sendo, portanto, livre para planejar, executar e avaliar suas aulas conforme seu diagnóstico pedagógico e o perfil de aprendizagem de seus alunos.

O plano de aula - muitas vezes materializado em sequências didáticas (SD) - é um instrumento de uso pessoal e estratégico, que reflete metodologias próprias, experiências acumuladas e recursos criativos desenvolvidos pelo docente ao longo de sua trajetória. Assim, não deve ser exigido ou exposto de forma taxativa, pois constitui parte do planejamento pedagógico individual e da identidade profissional de cada educador.

A opinião do professor, construída a partir de sua vivência e formação, deve ser respeitada integralmente, com a devida consideração à relevância de seu papel social e intelectual. Nenhum outro profissional - ainda que possua titulações acadêmicas superiores - pode deslegitimar ou subestimar o trabalho docente, que é base de todas as demais profissões.

Valorizar a educação é, sobretudo, reconhecer a autonomia e a dignidade do professor, garantindo-lhe liberdade de cátedra, respeito institucional e condições efetivas para exercer sua função formadora com excelência e compromisso ético.

Autonomia Docente: o plano de aula é o espaço secreto do saber

Respeitar o professor é respeitar o próprio conhecimento que sustenta a sociedade.

O professor é muito mais que um executor de tarefas pedagógicas: é um formador de opinião, pesquisador e criador de caminhos para o aprendizado. Sua autonomia didática é um princípio essencial, assegurado pela Constituição e pelos fundamentos da educação democrática.

O plano de aula - muitas vezes traduzido em sequências didáticas ou metodologias próprias - não é um documento burocrático, mas sim o núcleo estratégico da prática docente, onde o professor combina teoria, experiência e sensibilidade para transformar o ensino em aprendizagem significativa.

Exigir que esse plano seja entregue de forma taxativa ou padronizada é descaracterizar o papel intelectual do docente, reduzindo a educação a um processo mecânico e sem identidade. O professor conhece melhor que ninguém o ritmo, as dificuldades e as potencialidades de seus alunos. Por isso, precisa de liberdade para adaptar, revisar e reinventar suas estratégias de ensino.

A opinião do professor deve ser reconhecida como expressão legítima de conhecimento e experiência, e jamais tratada com desconfiança ou subestimação - mesmo diante de outros profissionais com graus acadêmicos mais elevados. Afinal, sem professores não há médicos, engenheiros, juristas ou cientistas; todos são frutos da dedicação de quem ensina.

Valorizar a educação é, antes de tudo, proteger a autonomia docente. É garantir ao professor o direito de planejar, pensar e ensinar com liberdade - porque é nesse espaço secreto do saber que nasce o verdadeiro conhecimento humano.

Belém-PA, 09 de outubro de 2025

MICASISE

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