A autonomia docente como
fundamento da prática pedagógica
O professor é, antes de tudo, um formador
de opinião, um mediador do conhecimento e um pesquisador de sua própria
prática. Detém autonomia didática e intelectual, sendo, portanto, livre para
planejar, executar e avaliar suas aulas conforme seu diagnóstico pedagógico e o
perfil de aprendizagem de seus alunos.
O plano de aula - muitas vezes
materializado em sequências didáticas (SD) - é um instrumento de uso pessoal e
estratégico, que reflete metodologias próprias, experiências acumuladas e
recursos criativos desenvolvidos pelo docente ao longo de sua trajetória.
Assim, não deve ser exigido ou exposto de forma taxativa, pois constitui parte
do planejamento pedagógico individual e da identidade profissional de cada
educador.
A opinião do professor,
construída a partir de sua vivência e formação, deve ser respeitada
integralmente, com a devida consideração à relevância de seu papel social e
intelectual. Nenhum outro profissional - ainda que possua titulações acadêmicas
superiores - pode deslegitimar ou subestimar o trabalho docente, que é base de
todas as demais profissões.
Valorizar a educação é,
sobretudo, reconhecer a autonomia e a dignidade do professor, garantindo-lhe
liberdade de cátedra, respeito institucional e condições efetivas para exercer
sua função formadora com excelência e compromisso ético.
Autonomia Docente: o plano de
aula é o espaço secreto do saber
Respeitar o professor é
respeitar o próprio conhecimento que sustenta a sociedade.
O professor é muito mais que um
executor de tarefas pedagógicas: é um formador de opinião, pesquisador e
criador de caminhos para o aprendizado. Sua autonomia didática é um princípio
essencial, assegurado pela Constituição e pelos fundamentos da educação
democrática.
O plano de aula - muitas vezes
traduzido em sequências didáticas ou metodologias próprias - não é um documento
burocrático, mas sim o núcleo estratégico da prática docente, onde o professor
combina teoria, experiência e sensibilidade para transformar o ensino em
aprendizagem significativa.
Exigir que esse plano seja
entregue de forma taxativa ou padronizada é descaracterizar o papel intelectual
do docente, reduzindo a educação a um processo mecânico e sem identidade. O
professor conhece melhor que ninguém o ritmo, as dificuldades e as
potencialidades de seus alunos. Por isso, precisa de liberdade para adaptar,
revisar e reinventar suas estratégias de ensino.
A opinião do professor deve ser
reconhecida como expressão legítima de conhecimento e experiência, e jamais
tratada com desconfiança ou subestimação - mesmo diante de outros profissionais
com graus acadêmicos mais elevados. Afinal, sem professores não há médicos,
engenheiros, juristas ou cientistas; todos são frutos da dedicação de quem
ensina.
Valorizar a educação é, antes de
tudo, proteger a autonomia docente. É garantir ao professor o direito de
planejar, pensar e ensinar com liberdade - porque é nesse espaço secreto do
saber que nasce o verdadeiro conhecimento humano.
Belém-PA, 09 de outubro de 2025
MICASISE
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